A eleição de Mauricio Macri como presidente da Argentina, no último dia 22 de novembro, tem provocado polêmica e incentivado esforços de interpretação. Primeiro político a vencer uma disputa presidencial sem pertencer ao peronismo ou à União Cívica Radical, Macri surge como uma novidade na América do Sul.

Alguns o veem como expressão da capacidade que têm os setores conservadores de se contrapor, na região, ao predomínio de políticas e governos tidos como de esquerda. Macri seria, deste ponto de vista, um fidedigno representante da “direita” neoliberal ou reacionária, uma ameaça às conquistas sociais acumuladas ao longo dos anos e um obstáculo a mais para a integração latino-americana.

Outros, ao contrário, o entendem como sendo a tradução de um desejo de renovação, depois de um período de predomínio da vertente kirchneriana do peronismo argentino, que teria levado o País a uma situação insustentável e insatisfatória. Macri seria, neste caso, uma espécie de “salvador da Pátria”, alguém que estaria à altura da grandeza argentina e que começaria a disseminar, pela região, uma nova ideia de progresso e de inserção internacional.

Interessado em escapar deste maniqueísmo, o NEAI publica hoje e nos próximos dias um dossier Argentina. Convidamos alguns analistas políticos e cientistas sociais brasileiros e argentinos para escreverem, especialmente para o site, sobre o significado da vitória de Macri e seus desdobramentos e repercussões no Brasil e na região. A eles, agradecemos enfaticamente.

Também reproduzimos análises coletadas em jornais e sites, a cujos autores pedimos desculpas pela ausência de autorização explícita. Queremos acreditar que todos compreenderão que o objetivo é tão-somente facilitar o acesso ao que se escreveu de mais significativo nos últimos dias. A pluralidade de olhares analíticos e de opiniões é essencial para que se possa separar o joio do trigo.

Leia mais:  Dossier / La política exterior argentina con Macri, por Gino Pauselli

A intenção é disseminar reflexões elaboradas no correr dos acontecimentos e que ofereçam parâmetros e argumentos para começarmos a entender melhor o significado profundo da mudança política que hoje sacode a Argentina. E que tenderá a repercutir no Brasil e na região.

Os artigos serão os seguintes, conforme a ordem de publicação:

Intentos de respuestas ante un futuro incierto, por Damián Paikin

As eleições na Argentina e as relações com o Brasil, por Sara Toledo

Más plurales y menos polarizados, por Vicente Palermo

Una victoria anunciada e inesperada, por Sergio De Piero

En la senda de Frondizi y Alfonsín, por Marcos Novaro

Venezuela, la Cuba de Macri, por Martín Granovsky

La política exterior argentina con Macri, por Gino Pauselli

La última victoria del kirchnerismo, por Andrés Malamud

Macri y la posible resurrección de la OEA, por Javier El-Hage