Eurásia, Europa

A última dança entre Merkel e Putin

Vanessa Capistrano e Danielle Makio

O tabuleiro geopolítico europeu continua a ser desenhado às vésperas da saída de Angela Merkel da Chancelaria alemã, após 16 anos no cargo. Sua visita a Moscou e a Kiev, a partir de amanhã, demonstra que a Alemanha – ao contrário do que muitos acreditam – continua a pensar e a agir realisticamente. Merkel se orienta pelo cálculo racional de meios e fins travestido de uma postura não agressiva e de acomodação, mas nunca de subserviência. Voltada para a defesa dos interesses energéticos europeus e, principalmente, alemães, a chanceler quer garantir a continuidade do diálogo teuto-russo mesmo após sua saída, ainda que essa relação tenha sido marcada por momentos de tensão e de cooperação. Já a Rússia pretende conquistar novas posições na Europa Central e Oriental, aumentando sua zona de influência e ingerência na região.

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Eurásia

Poder e território entre Armênia e Azerbaijão: a escalada do conflito de Nagorno-Karabakh

Danielle Amaral Makio

O conflito que opõe Armênia e Azerbaijão pela posse das regiões montanhosas de Karabakh data de 1992, mas suas raízes remontam a um período muito anterior. A recente escalada do conflito, oriunda da alegação da Armênia de que um avião do país teria sido derrubado por armamento turco (acusação negada pela Turquia, aliada do Azerbaijão), mobiliza inúmeros atores

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Teoria Política e Relações Internacionais

Protestos em Khabarovsk: a atualidade do passado russo

Danielle Amaral Makio

Após ser ameaçado de homicídios, Sergei Furgal, atual governador do krai [1]de Khabarovsk, Rússia, foi levado por agentes das forças especiais do Kremlin até Moscou, onde foi condenado e permanece em prisão. O ocorrido foi o estopim para o início de protestos que tomaram Khabarovsk, cidade localizada no extremo oriente russo próxima à fronteira com a China. A despeito das restrições impostas pela pandemia da Covid-19, dezenas de milhares de habitantes tomaram as ruas no sábado, 17 de julho de 2020, em reação ao episódio. Convencidos de se tratar de uma manobra política desenhada no seio do centralismo político do presidente Vladimir Putin, os manifestantes marcharam embalados por brados que condenavam a arbitrariedade do evento e denunciavam o descaso de Moscou para com a região.

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