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Redes e tecnologias

Redes e tecnologias

O pós-pandêmico é atual pandêmico: por imaginários desgovernados

Alcides Eduardo dos Reis Peron

Como pensar um futuro pós pandêmico quando a própria condição de pandemia é negada ou subestimada nas redes? Talvez o futuro seja um esgarçamento das tendências do presente. A perda perceptiva, o distanciamento e a desinformação por hiperinformação são marcas do contemporâneo em esgarçadamento. Grupos – ou enxames digitais – que oligopolizam mecanismos de “shitstorm” amplificam a crise e colonizam o futuro. Eles têm na velocidade uma estratégia determinante. A ação das tempestades de acusações, informações, escândalos, hashtags e desinformação ocorrem de forma sucessiva, rápida, impedindo reflexão e produção de respostas. A catatonia e a espetacularização passiva da política e do mundo é função direta da velocidade desse motor informacional. Tragados por um looping perpétuo de discussões inócuas, aceleradas pelas redes que negam a gravidade do presente pandêmico, o que resta é o esgarçamento da própria pandemia.

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Redes e tecnologias

Em tempos de infodemia, capitalismo de vigilância e radicalização bolsonarista, a quem serve o PL das fake news?

Júlia Tibiriçá

No Brasil, a proliferação de notícias falsas encontrou um importante aliado no cenário de crise política e de radicalização bolsonarista. Em contraposição às chamadas fake news, uma iniciativa parlamentar, o PL 1429/2020, propôs instituir uma Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet. O indispensável panorama para a discussão da regulação das plataformas e da disseminação de notícias falsas, entretanto, diz respeito a uma complexa economia política das redes sociais – cuja ausência no PL 1429/2020 contribui para que seja, então, colocada em evidência.

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Redes e tecnologias

A propagação da COVID-19 pode ameaçar a estabilidade da Internet?

Mark W. Datysgeld

Para entendermos se a estabilidade dessa estrutura está em risco, ou não, precisamos pensar que ela é composta por diversos elos que são operados de forma mais ou menos independente: desde a escala doméstica até imensos cabos submarinos que envolvem o mundo carregando nossos dados a velocidades impressionantes. Nos tempos atuais, a Internet se tornou um recurso fundamental em um grande número de regiões do mundo. Apesar disso, pouco se discute fora dos meios especializados sobre a alta complexidade da manutenção de sua operação.

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Comércio Internacional, Redes e tecnologias

Guerras Comerciais High Tech: a disputa entre Estados Unidos e China pelo 5G

Marcel Artioli

Embora a administração Trump tenha obsessão pela questão comercial, tais aspectos estão apenas lateralmente conectados às habilidades dos Estados Unidos em tecnologias high tech. Isso porque as vantagens da China resultam, em grande medida, não de uma conduta ilegal – ainda que as ações chinesas criem um campo de desigual de disputa-, mas do peso do país em termos de investimento global e em participação nas cadeias produtivas globais. Daí a estratégia de Trump de buscar limitar a ubiquidade dos produtos chineses em tecnologia 5G, que ganhou reforço pela redução da atividade econômica causada pela crise do Coronavírus ou COVID-19. Isto é, a crise de saúde global, além de possivelmente levar a um grave problema econômico sem precedentes na história, cria oportunidade para que empresas multinacionais transfiram a produção para fora da China, ou busquem uma reconversão industrial para enfrentar a crise e o fornecimento de bens industriais hospitalares, como os ventiladores médicos, por exemplo. Isso poderia ser um ponto de virada no cenário industrial asiático.

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Redes e tecnologias

O debate sobre soberania digital no Internet Governance Forum de 2019

Mark W. Datysgeld

Entre muitas linhas de debate, o tema da “soberania digital” preponderou em discussões entre indivíduos de diferentes regiões e especialidades. Há uma complexidade inerente em se pensar no digital enquanto espaço de exercício de soberania, pois a forma como a Internet é organizada – descentralizada, mas dependente de recursos sediados em locais físicos – pode levar a analogias diferentes. Por um lado, o digital pode ser tratado como análogo ao espaço aéreo ou marítimo no qual o Estado pode legitimamente exercer controle pleno, mas é também plausível sua compreensão como território extraplanetário ou de alto mar, nos quais a soberania é difusa.

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