O filósofo alemão Jürgen Habermas pensa que a União Europeia precisa se soltar das restrições impostas pela troika e corrigir suas falhas de construção, “que somente podem ser resolvidas se a união monetária se combinar com uma união bancária, fiscal e econômica, compondo uma constelação que, para ser verdadeiramente democrática, deve ser acompanhada por uma união política”.

Submetida às orientações e imposições tecnocráticas da articulação formada pela Comissão Europeia, pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a UE assiste à “dissolução da política pelo mercado” e fecha os olhos para “as desastrosas consequências sociais da implementação dos programas de austeridade neoliberal”.

Em um artigo publicado no último dia 25 no diário Süddeutsche Zeitung, Habermas acusa a chanceler alemã Angela Merkel e a própria UE de se esconderem sob o manto da tecnocracia para ocultar sua responsabilidade diante da crise grega. “Como membros da troika, as instituições europeias se confundem com esse ator, de modo a que os políticos possam se refugiar no papel de agentes intocáveis agindo estritamente de acordo com as regras do FMI”.

Para Habermas, “o resultado da eleição grega expressa o voto de uma nação que, com uma maioria significativa, está de pé contra a miséria humilhante e opressiva provocada por uma política de austeridade imposta ao seu país. Não pode haver nenhum argumento sobre a votação em si: a população rejeita a continuação de uma política cuja falha drástica é algo que tem sido experimentado em primeira mão. Equipado com esta legitimidade democrática, o governo grego está tentando trazer uma mudança de política na zona do euro”.

O texto pode ser lido aqui.

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