Com o apoio dos 33 países da América Latina e o Caribe, o Uruguai foi eleito membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O país participou deste órgão no biênio de 1965-1966, ou seja, há cinqüenta anos. Foram 185 votos dentre os 193 que formam a plenária da Assembléia Geral das UN. Somente seis países não votaram no Uruguay, entre os quais certamente está a Coréia do Norte, com quem o Uruguai não mantem relações diplomáticas.

O prestígio atual do Uruguai no contexto internacional é atribuído em grande parte à ampla participação nas missões de paz da ONU. Estima-se que até hoje mais de 40.000 soldados uruguaios participaram destas missões, número muito relevante se temos em conta a baixa densidade demográfica do país. Ao longo da sua historia o Uruguay tem se caracterizado pelo respeito ao direito internacional, foi uns dos primeiros países em aderir a Conferencia Internacional de  Haya em 1907, quando apresentou a doutrina do “Arbitragem obrigatório” para resolver as diferenças entre os Estados, conhecido posteriormente como o “Principio da Solução  Pacífica de Controvérsias”. Também foi uns dos primeiros países a aderir à Corte Permanente de Justiça Internacional, em 1921, antecessora da Corte Internacional de Justiça (CIJ), principal órgão judiciário das Nações Unidas.

O Conselho de Segurança é o único órgão da ONU que toma decisões de caráter vinculatório, ou seja, que os Estados membros são obrigados a cumprir, conforme a Carta de São Francisco de 1945. Quando se apresenta um conflito internacional ou interno com conseqüências na comunidade internacional, a primeira medida a ser adotada pelo Conselho é a recomendação a todas as partes para que se chegue a um acordo por meios pacíficos, como a negociação, a mediação, a conciliação e a arbitragem. Se não se chega a um acordo deste tipo, o Conselho pode impor embargos, sanções econômicas e, em determinadas situações formalmente previstas, pode autorizar o uso da forca para fazer cumprir os mandatos da ONU. Pode, por exemplo, aprovar invasões ou desaprová-las.

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O Conselho também é encarregado de recomendar à Assembléia Geral a nomeação do Secretário Geral, de aprovar a admissão de novos Estados membros e de participar da eleição dos juízes da CIJ. Ocupará, portanto, posição importante no próximo ano, com a sucessão de Ban Ki-moon.

Junto com o Uruguai, regressa ao Conselho uma grande potência como o Japão, que já foi membro não permanente em dez oportunidades. Faz muito tempo que o Japão reivindica um assento fixo no Conselho: na ultima sessão o embaixador japonês, Motohide Yoshikawa, destacou que “muitos líderes falam sobre a necessidade de se reformar o Conselho de Segurança, incluindo sua santidade o Papa Francisco”. A reestruturação do Conselho é assunto caro a muitos países, entre eles o Brasil.

Também se destaca o retorno ao Conselho do Egito, considerado um dos atores-chave no Oriente Médio e que poderá ter papel importante em conflitos como os da Líbia e nas disputas palestino-israelenses.

A maior polêmica ficou com o ingresso da Ucrânia, que vive em plena confrontação com a Russia, um dos cinco membros permanentes e com capacidade de veto (juntamente com Estados Unidos, China, França e Reino Unido). Na sessão que definiu os novos membros, o ministro ucraniano de Relações Exteriores, Pavlo Klimkin, interpretou o forte apoio à candidatura de seu pais (que não tinha rivais na região) como um ato de “solidariedade” por parte do mundo perante as “agressões” de Moscou. A Ucrânia obteve o numero mais baixo de votos, 177.

Os cinco novos membros assumirão em 1º de janeiro de 2016, substituindo Chade, Chile, Jordânia, Lituânia e Nigéria, cujos mandatos terminam no presente ano. Angola, Malásia, Nova Zelândia, Espanha e Venezuela continuarão mais um ano com assento não permanente.